O governo do México deu mais um passo decisivo em sua estratégia de revitalização ferroviária ao anunciar a assinatura de um contrato de US$ 1,47 bilhão com o consórcio formado pela CICSA (Controladora de Infraestructura, da holding Grupo Carso) e pela FCC Construcción, da Espanha. O acordo prevê o projeto e construção de 111 km da nova linha de passageiros Saltillo – Nuevo Laredo, um corredor essencial para a integração econômica e logística do país com os Estados Unidos.
Um projeto estratégico para o futuro ferroviário do México
A obra faz parte do ambicioso plano do governo federal de expandir os trens de passageiros no México, devolvendo ao país uma rede que por décadas foi dominada quase exclusivamente pelo transporte de cargas. O trecho Saltillo – Nuevo Laredo está inserido no Eixo Ferroviário do Norte, que terá 1.200 km de extensão, conectando a Cidade do México até a fronteira com os Estados Unidos em Nuevo Laredo, no estado de Tamaulipas.
Segundo a Secretaria de Infraestrutura, Comunicações e Transportes (SICT), os trabalhos deverão começar no final de setembro de 2025 e têm previsão de conclusão em 31 meses, ou seja, até meados de 2028.
Detalhes do segundo lote de obras
O lote 2, recém-concedido ao consórcio CICSA-FCC, corresponde ao trecho Saltillo – Santa Catarina (111 km). Ele inclui a construção de:
-
30 pontes
-
15 passagens em nível
-
viadutos estratégicos
-
uma nova estação em Villa Aldama
-
trilhos exclusivos para passageiros, correndo em paralelo à ferrovia de carga já existente da CPKC (Canadian Pacific Kansas City)
Além disso, o projeto já prevê ampliação futura para duplicação de via, o que permitirá um aumento de capacidade de tráfego conforme a demanda crescer.
Alta velocidade e impacto regional
Os trens de passageiros circularão em trilhos dedicados, com velocidades entre 160 km/h e 200 km/h, atendendo tanto grandes centros urbanos quanto comunidades intermediárias e rurais.
De acordo com Andrés Lajous, diretor da Agência Reguladora do Transporte Ferroviário (ARTF), a nova ferrovia terá capacidade para transportar 7 milhões de passageiros por ano, fortalecendo o turismo, o comércio e a mobilidade nas regiões de Coahuila, Nuevo León e Tamaulipas.
Divisão do projeto em quatro lotes
O corredor Saltillo – Nuevo Laredo foi segmentado em quatro partes:
-
Lote 1 (Unión San Javier – Arroyo El Sauz, 100 km): já concedido em agosto de 2025 à ICA Constructora, por US$ 780 milhões.
-
Lote 2 (Saltillo – Santa Catarina, 111 km): agora sob responsabilidade da CICSA-FCC, valor de US$ 1,47 bilhão.
-
Lote 3 (Arroyo El Sauz – Nuevo Laredo, 136,5 km): em fase final de licitação, com consórcios oferecendo propostas entre US$ 594 milhões e US$ 868 milhões. O resultado será anunciado em outubro.
-
Lote 4: ainda não definido, deverá cobrir cerca de 50 km restantes entre Santa Catarina e Unión San Javier.
Entre os consórcios que disputam o Lote 3 estão empresas renomadas como Comsa, VISE, OHL, Azvi, Gami Ingeniería, ICA e novamente CICSA-FCC.
Desafios de financiamento
Apesar da magnitude do investimento, a mídia local destacou que o orçamento federal previsto para 2025, de US$ 72,3 milhões, cobre apenas uma pequena fração do custo total do projeto. Isso significa que o avanço das obras dependerá de alocações anuais futuras aprovadas pelo governo mexicano.
Ainda assim, a expectativa é que o projeto se mantenha como prioridade estratégica, já que a linha conecta regiões produtivas e fortalece o comércio com os Estados Unidos, principal parceiro econômico do México.
Importância geopolítica e econômica
O novo corredor ferroviário de passageiros não apenas reforçará a mobilidade no norte do país, mas também desempenhará papel central na integração México–EUA, permitindo viagens rápidas entre Saltillo, Monterrey, Nuevo Laredo e outros polos urbanos. Além do impacto no transporte de pessoas, a modernização paralela às linhas de carga da CPKC deve otimizar o tráfego ferroviário em um dos corredores logísticos mais movimentados da América do Norte.
Com isso, o México se aproxima de um modelo de transporte mais equilibrado, sustentável e competitivo, alinhado a padrões internacionais e às necessidades de sua população
Foto de capa: CKPC






