🇬🇧 O processo de renacionalização das ferrovias britânicas avança de forma consistente. O Department for Transport (DfT) confirmou, em 26 de setembro, o cronograma para que três das principais operadoras de passageiros retornem ao controle público nos próximos anos. A medida faz parte da transição rumo à criação da Great British Railways (GBR), entidade que deverá unificar a operação de trens de passageiros e a gestão da infraestrutura ferroviária em todo o Reino Unido a partir de 2027.
Operadoras que retornam ao setor público
A primeira a fazer a transição será a Greater Anglia, com data marcada para 12 de outubro de 2025. Logo depois, a West Midlands Trains (WMT) voltará ao controle do governo em 1º de fevereiro de 2026.
Já a Govia Thameslink Railway (GTR), considerada a maior operadora de passageiros da Grã-Bretanha, será transferida em 31 de maio de 2026. A GTR atende milhões de passageiros anualmente em Londres e no sudeste da Inglaterra, operando marcas tradicionais como Gatwick Express, Great Northern, Southern e Thameslink.
Atualmente, a empresa é controlada por uma joint venture entre o Go-Ahead Group e a francesa Keolis, com contrato nacional (National Rail Contract) vigente até abril de 2028. No entanto, o governo decidiu encerrar o acordo em 2026, dois anos antes do prazo previsto, antecipando o retorno ao setor público.
Setor público já domina a maior parte das viagens
Com essas mudanças, o governo britânico estima que, até meados de 2026, cerca de 80% das viagens ferroviárias de passageiros sob responsabilidade do DfT estarão sendo realizadas por operadoras estatais.
Na prática, o movimento de renacionalização já está em curso desde 2024. Somente em 2025, duas empresas já passaram ao setor público: a South Western Railway (SWR) em 25 de maio, e a c2c em 20 de julho.
Próximas operadoras a seguir o mesmo caminho
O DfT também sinalizou que a Chiltern Railways e a Great Western Railway (GWR) deverão ser as próximas a migrar para a gestão pública. No entanto, a decisão final ainda depende da secretária de Estado dos Transportes, Heidi Alexander, que deve se pronunciar nos próximos meses.
A expectativa é que todas as operadoras de passageiros cujos contratos são supervisionados pelo DfT retornem ao setor público até o final de 2027, quando será concluído o processo de criação da Great British Railways.
O papel da Great British Railways (GBR)
O GBR será um marco para o sistema ferroviário do Reino Unido. A nova entidade pública não apenas controlará a operação dos serviços de passageiros, mas também ficará responsável pela gestão da infraestrutura, substituindo o atual modelo fragmentado.
Esse processo depende da aprovação do Railways Bill, projeto de lei que será apresentado ainda este ano ao Parlamento britânico. A expectativa é que a GBR esteja plenamente operacional em 2027, consolidando o sistema ferroviário em uma estrutura integrada e eficiente.
Impactos esperados na mobilidade britânica
O retorno das ferrovias de passageiros ao setor público no Reino Unido reflete uma estratégia de maior controle estatal sobre a mobilidade, com foco na eficiência, qualidade do serviço e integração nacional.
Críticos do modelo anterior argumentam que a privatização fragmentada das últimas décadas resultou em tarifas altas, problemas de confiabilidade e falta de coordenação entre operadoras. A renacionalização, portanto, busca corrigir falhas históricas e atender melhor às demandas dos milhões de passageiros que dependem diariamente do transporte ferroviário no país.
Para os passageiros, a expectativa é de maior padronização, integração tarifária e investimentos em modernização da frota. Para o governo, trata-se de um passo estratégico rumo a um transporte mais sustentável, acessível e competitivo no cenário europeu.
Foto de capa: GTR






