Um novo ataque com drones realizado pela Rússia contra uma estação ferroviária na região de Sumy, norte da Ucrânia, deixou uma pessoa morta e cerca de 30 feridas, segundo autoridades locais. O incidente, ocorrido na cidade de Shostka, reacende o debate sobre a necessidade de proteção internacional às infraestruturas civis de transporte, especialmente as ferrovias — que continuam exercendo papel essencial na mobilidade e evacuação de civis em zonas de conflito.
Ferrovias como alvo em meio à guerra
De acordo com informações oficiais, dois drones russos atingiram trens de passageiros estacionados na estação de Shostka, destruindo vagões e locomotivas. Imagens divulgadas pelo presidente Volodymyr Zelensky mostram composições queimadas e janelas estilhaçadas, com equipes de resgate atuando em meio aos destroços.
Zelensky classificou o episódio como um “ataque brutal e deliberado contra civis”, reforçando que as forças russas sabiam que se tratava de uma estação ferroviária de uso público.
“Este é um ato de terrorismo que o mundo não pode ignorar”, escreveu o presidente em sua conta no Telegram.
Segundo o ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha, o ataque seguiu a tática conhecida como “duplo golpe” (double tap), quando o primeiro drone atinge o alvo e o segundo é lançado logo depois para atingir socorristas e pessoas em fuga. Essa estratégia, além de agravar o número de vítimas, tem como objetivo disseminar o pânico entre a população.
A importância das ferrovias na resistência ucraniana
Desde o início da invasão russa em 2022, o sistema ferroviário da Ucrânia tem sido uma coluna vital da resistência civil e logística do país. Milhões de pessoas foram evacuadas por trem, e toneladas de suprimentos humanitários e militares foram transportadas sobre trilhos, garantindo comunicação entre cidades sitiadas e o restante do país.
A Ukrzaliznytsia, empresa estatal de ferrovias, tem mantido suas operações mesmo sob bombardeios constantes. Seu diretor-executivo, Oleksandr Pertsovskyi, declarou em entrevista à Reuters que os drones russos estão “caçando locomotivas”, tentando paralisar a capacidade de mobilidade nacional.
“Eles sabem que as ferrovias são a espinha dorsal da Ucrânia — tanto para transporte civil quanto para nossa economia. É uma tentativa de tornar as viagens inseguras e isolar comunidades inteiras”, afirmou Pertsovskyi.
Impactos e resistência ferroviária
O ataque em Shostka é parte de uma campanha intensificada de bombardeios contra infraestruturas ferroviárias nas últimas semanas. De acordo com autoridades ucranianas, há registros diários de ataques contra pontes, estações e trilhos em diferentes regiões do país.
Ainda assim, a rede ferroviária ucraniana continua operando de forma notável, mostrando resiliência técnica e humana. Engenheiros e maquinistas trabalham em turnos de emergência para restaurar linhas danificadas em tempo recorde, muitas vezes sob risco de novos ataques.
Especialistas internacionais apontam que proteger infraestruturas de transporte é crucial para manter a mobilidade civil e o fluxo humanitário, e defendem que ataques desse tipo devem ser considerados crimes de guerra pela comunidade internacional.
O papel das ferrovias na reconstrução e na paz
Além do impacto imediato, o ataque em Shostka levanta reflexões sobre o futuro da reconstrução ferroviária ucraniana. Assim como outros países devastados por guerras, a Ucrânia provavelmente dependerá fortemente do modal ferroviário para reconectar regiões, revitalizar a economia e reduzir a dependência energética de combustíveis fósseis.
As ferrovias — símbolo histórico de integração e progresso — têm mostrado mais uma vez sua relevância como instrumento de solidariedade, evacuação e reconstrução. Mesmo em meio à destruição, engenheiros e ferroviários seguem trabalhando para manter os trens em movimento, provando que o transporte sobre trilhos é também uma linha de resistência humana.






