Com informações do Portal da Cidade de Porto Velho
Imagem de capa: Divulgação da Prefeitura de Porto Velho
O tradicional apito da locomotiva da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré poderá voltar a fazer parte da paisagem sonora de Porto Velho nos próximos anos. A Prefeitura da capital de Rondônia anunciou, no último sábado (9), novos avanços no projeto de retomada do passeio turístico ferroviário em um trecho histórico da antiga ferrovia, considerada um dos maiores patrimônios culturais e históricos da Região Norte do Brasil.
Segundo informações divulgadas pela Prefeitura de Porto Velho, a iniciativa está sendo conduzida em parceria com a Associação Brasileira de Preservação Ferroviária (ABPF), entidade reconhecida nacionalmente por trabalhos de restauração e preservação de equipamentos ferroviários históricos em diversos estados brasileiros.
A proposta inicial prevê a reativação de um trecho entre a estação ferroviária localizada no complexo Madeira-Mamoré e a região do Cai N’Água, em um percurso voltado ao transporte turístico de passageiros. A medida é vista como um primeiro passo para uma futura ampliação das operações ferroviárias turísticas na capital rondoniense.
De acordo com a administração municipal, técnicos da ABPF estiveram em Porto Velho realizando uma série de inspeções consideradas fundamentais para definir a viabilidade operacional do projeto. A equipe foi mobilizada pela Secretaria Municipal de Turismo, Esporte e Lazer (Semtel) e conta com profissionais especializados em engenharia ferroviária, recuperação de material rodante e preservação histórica.
Participam das avaliações o engenheiro civil Carlos Rodrigues Ribeiro, especialista em projetos ferroviários, além dos engenheiros mecânicos Marlon Ilg e James Ilg, respectivamente diretor executivo e diretor-presidente da Associação Brasileira de Preservação Ferroviária.
Durante os trabalhos técnicos, foram realizadas análises detalhadas nas estruturas dos vagões e locomotivas existentes no complexo ferroviário. Os especialistas verificaram principalmente as condições da parte rodante dos equipamentos, componente essencial para garantir segurança operacional durante a circulação dos trens turísticos.
Além do material rodante, a equipe técnica também iniciou uma avaliação preliminar da infraestrutura ferroviária existente ao longo do trecho pretendido para operação. Segundo a Prefeitura de Porto Velho, as inspeções abrangem áreas dentro e fora do complexo Madeira-Mamoré, incluindo as regiões do Cai N’Água e do bairro Triângulo.
Os técnicos avaliam as condições dos trilhos, dormentes e demais estruturas ferroviárias, muitos deles afetados por décadas de abandono, enchentes periódicas do Rio Madeira e falta de manutenção contínua ao longo dos anos. O levantamento deverá apontar quais intervenções serão necessárias antes da retomada efetiva do passeio turístico.
Segundo o diretor-presidente da ABPF, James Ilg, o diagnóstico técnico será decisivo para orientar as próximas etapas do projeto ferroviário.
“Após essa vistoria, será elaborado um documento técnico que vai orientar o início dos trabalhos na região, apontando tudo o que precisa ser feito para garantir uma operação segura e adequada”, explicou o dirigente, segundo informações divulgadas pela Prefeitura de Porto Velho.
A retomada do passeio turístico também é defendida pela administração municipal como uma importante ferramenta de valorização cultural e fortalecimento do turismo histórico na capital de Rondônia. O secretário executivo de Turismo da Semtel, Aleks Palitot, destacou que o projeto busca recuperar parte da identidade ferroviária da cidade.
“O retorno do passeio de trem representa um resgate histórico e cultural para Porto Velho, além de impulsionar o turismo e a economia da nossa cidade”, afirmou o secretário, segundo a prefeitura.
Já o prefeito de Porto Velho, Léo Moraes, ressaltou o simbolismo da iniciativa para a população local e para a preservação da memória ferroviária amazônica.
“Estamos trabalhando para devolver à população uma das experiências mais simbólicas de Porto Velho. O trem faz parte da nossa identidade e esse projeto une preservação histórica, turismo e valorização cultural”, declarou o prefeito.
A Estrada de Ferro Madeira-Mamoré possui enorme relevância histórica para o desenvolvimento da Amazônia brasileira. Construída entre 1907 e 1912, a ferrovia foi implantada para permitir o escoamento da produção de borracha da Bolívia até o Oceano Atlântico, contornando as cachoeiras do Rio Madeira. A linha ferroviária ficou conhecida internacionalmente pelas dificuldades extremas enfrentadas durante sua construção, em meio à floresta amazônica, doenças tropicais e condições climáticas severas.
Por décadas, a ferrovia desempenhou papel estratégico na integração regional até ser gradualmente desativada na segunda metade do século XX. Desde então, locomotivas, vagões e edificações históricas passaram por longos períodos de deterioração.
Segundo a Prefeitura de Porto Velho, um dos marcos recentes do processo de recuperação ocorreu no ano passado, quando a locomotiva número 18 voltou a funcionar após permanecer mais de duas décadas sem operação. A reativação foi considerada um avanço importante para os planos de retomada turística da ferrovia.
Além da possível volta do passeio ferroviário, a administração municipal também anunciou um conjunto de ações de revitalização do complexo histórico da Madeira-Mamoré para as comemorações do aniversário de Porto Velho, previsto para outubro. Entre as intervenções programadas estão reformas na Litorina, na locomotiva Kalamazoo, em equipamentos históricos preservados no complexo ferroviário e na locomotiva 15.
Inicialmente, a operação turística deverá ocorrer em um trecho reduzido entre a estação ferroviária e o Cai N’Água. A expectativa da prefeitura é que o projeto sirva como base para uma retomada gradual das atividades turísticas ferroviárias, fortalecendo o patrimônio histórico da cidade e atraindo visitantes interessados na memória ferroviária da Amazônia.
Segundo informações da Prefeitura de Porto Velho e da Associação Brasileira de Preservação Ferroviária (ABPF), novos estudos técnicos deverão ser concluídos nos próximos meses para definir cronograma, custos e etapas operacionais da futura retomada do passeio ferroviário.





