Com informações do site Railways Africa
Imagem de capa: Discovery Ivory Coast
A Agência de Cooperação Internacional do Japão (JICA) abriu uma concorrência para a realização de um estudo sobre o desenvolvimento do setor ferroviário da Costa do Marfim. Publicada em 23 de agosto, a iniciativa pretende reunir informações e avaliar possibilidades para a expansão e modernização da infraestrutura ferroviária do país da África Ocidental.
O estudo deverá concentrar sua atenção em um possível desenvolvimento ferroviário ligando Abidjan, Yamoussoukro e Bouaké, três cidades de grande importância para a estrutura econômica e territorial marfinense. A iniciativa ainda não representa a decisão de construir uma nova ferrovia, mas poderá fornecer subsídios técnicos para que futuros projetos sejam planejados e eventualmente financiados.
A oportunidade também demonstra a permanência do interesse japonês em apoiar a modernização da infraestrutura de transportes africana por meio de estudos técnicos, cooperação institucional e preparação de projetos.
JICA busca informações para novos projetos ferroviários
O procedimento lançado pela JICA é denominado Information Gathering and Verification Survey on Railway Sector Development in Côte d’Ivoire, ou estudo de coleta e verificação de informações sobre o desenvolvimento do setor ferroviário da Costa do Marfim.
A contratação tem como finalidade reunir dados que permitam compreender melhor as condições atuais e as possibilidades futuras da rede ferroviária marfinense.
Esse tipo de estudo costuma anteceder decisões de maior dimensão. Antes de uma nova ferrovia ser construída, é necessário conhecer a demanda potencial, as condições da infraestrutura existente, as características econômicas das regiões atendidas, os possíveis traçados e os custos associados às diferentes alternativas.
Por isso, embora uma concorrência para estudo possa parecer uma etapa administrativa, ela pode representar o primeiro movimento concreto de um processo de desenvolvimento ferroviário de longo prazo.
Abidjan, Yamoussoukro e Bouaké no centro das análises
O eixo mencionado pela iniciativa reúne três cidades fundamentais da Costa do Marfim.
Abidjan é o principal centro econômico e portuário do país. A cidade concentra grande parte das atividades industriais, comerciais e logísticas nacionais.
Yamoussoukro, por sua vez, é a capital política e administrativa marfinense.
Já Bouaké é um importante centro urbano e econômico do interior, localizado em uma posição estratégica no território nacional.
Uma conexão ferroviária eficiente entre esses centros poderia melhorar a circulação de pessoas e mercadorias e contribuir para uma maior integração entre o litoral e o interior.
A existência de um corredor ferroviário moderno também poderia fortalecer a ligação entre centros produtivos, mercados consumidores e instalações portuárias.
Ferrovia possui importância histórica no país
A Costa do Marfim já possui uma ligação ferroviária internacional de grande importância: a linha Abidjan–Ouagadougou, que conecta o país ao Burkina Faso.
O corredor desempenha papel relevante no transporte de cargas e passageiros e historicamente constituiu uma das principais conexões ferroviárias da África Ocidental.
Entretanto, a infraestrutura ferroviária da região enfrenta desafios relacionados à necessidade de modernização, manutenção e aumento da capacidade.
Nesse contexto, novos investimentos poderiam não apenas melhorar os serviços existentes, mas também ampliar a rede para regiões atualmente menos atendidas pelo transporte ferroviário.
Desenvolvimento econômico pode impulsionar a ferrovia
O interesse pelo eixo Abidjan–Yamoussoukro–Bouaké também está relacionado ao crescimento econômico e populacional dessas regiões.
Uma ferrovia de maior desempenho poderia oferecer uma alternativa ao transporte rodoviário para deslocamentos de média e longa distância.
Para o transporte de cargas, os benefícios potenciais são ainda mais amplos.
Produtos agrícolas, matérias-primas e mercadorias industrializadas poderiam utilizar o transporte ferroviário para percorrer grandes distâncias até centros consumidores ou instalações portuárias.
A utilização de trens para grandes volumes de carga também pode reduzir a pressão sobre as rodovias e contribuir para diminuir custos logísticos.
Estudo poderá orientar investimentos
Uma das principais funções de um estudo dessa natureza é transformar uma possibilidade de infraestrutura em um projeto tecnicamente avaliado.
Os especialistas contratados deverão analisar diferentes informações sobre o setor ferroviário e identificar oportunidades de desenvolvimento.
A partir desses dados, poderão ser avaliadas alternativas de investimento, modernização ou expansão da rede.
O processo é particularmente importante porque projetos ferroviários exigem investimentos elevados e possuem vida útil de muitas décadas. Decisões equivocadas durante a fase de planejamento podem gerar custos significativos posteriormente.
A análise prévia permite comparar cenários e determinar quais investimentos oferecem maior retorno econômico, social e logístico.
Conexão com outras iniciativas ferroviárias
A nova iniciativa da JICA não ocorre de forma isolada.
O governo da Costa do Marfim mantém diferentes projetos ferroviários em seu planejamento de infraestrutura. Entre eles estão a reabilitação do eixo Abidjan–Ouagadougou–Kaya, uma futura ligação entre Ouangolodougou, Niellé e Sikasso, além da proposta de uma extensa ferrovia conectando San Pedro, Odienné e a fronteira com o Mali. O planejamento governamental também contempla uma futura ligação de alta velocidade entre Abidjan, Bouaké, Korhogo e Ferkessédougou.
Isso ajuda a dimensionar o possível significado do estudo agora lançado.
A análise da JICA poderá contribuir para organizar informações e prioridades dentro de uma estratégia ferroviária muito mais ampla.
Experiência japonesa na infraestrutura africana
A participação da JICA acrescenta outra dimensão à iniciativa.
A agência japonesa atua há décadas em projetos de infraestrutura, transporte, desenvolvimento urbano e logística em países em desenvolvimento.
Na Costa do Marfim, a cooperação japonesa já incluiu estudos relacionados ao setor de transportes e à infraestrutura logística. Em janeiro de 2026, uma missão da JICA esteve no país para avaliar projetos ferroviários e coletar informações que poderiam subsidiar futuras iniciativas de financiamento, doações ou assistência técnica.
A abertura da nova concorrência pode, portanto, ser entendida como continuidade desse processo de levantamento e preparação.
Próxima etapa será transformar estudos em projetos
A contratação do estudo não garante que uma nova ferrovia entre Abidjan, Yamoussoukro e Bouaké será construída.
O trabalho deverá, antes, determinar as condições, oportunidades e desafios relacionados ao desenvolvimento ferroviário no país.
Segundo o registro da oportunidade, o processo possui prazo de apresentação de propostas até 4 de setembro de 2026.
Depois da conclusão do estudo, eventuais projetos poderão avançar para fases de viabilidade mais detalhadas, estruturação financeira e definição de modelos de implantação.
Esse processo pode levar anos, especialmente quando envolve grandes corredores ferroviários.
Uma possível nova etapa para a ferrovia marfinense
O movimento da JICA é importante justamente porque coloca novamente o transporte ferroviário no centro das discussões sobre infraestrutura da Costa do Marfim.
Se os estudos confirmarem a viabilidade de novos investimentos, o país poderá ampliar sua rede para além dos corredores históricos e fortalecer as conexões entre Abidjan, Yamoussoukro e Bouaké.
Para uma economia que busca ampliar sua integração territorial e sua capacidade logística, a ferrovia pode desempenhar papel estratégico.
Por enquanto, o projeto está na etapa de estudos. Mas é justamente nessa fase que se definem as bases de grandes empreendimentos.
A iniciativa japonesa mostra que a Costa do Marfim está procurando avaliar de maneira estruturada seu futuro ferroviário — e que novos corredores de passageiros e cargas podem fazer parte da próxima geração de investimentos em infraestrutura do país.





