Programa substitui uma das gerações mais antigas da frota do metrô
Com informações de Alstom
Imagem de capa: Alstom
Singapura concluiu uma das maiores renovações de frota de seu sistema metroviário. Em 30 de setembro de 2026, a Alstom anunciou a entrega do último dos 106 novos trens destinados às linhas North-South Line (NSL) e East-West Line (EWL), dois dos corredores ferroviários mais movimentados da rede MRT do país.
Ao todo, o programa envolve 636 carros, organizados em 106 composições de seis carros. Os novos trens substituem veículos das gerações anteriores que estavam em operação há décadas e fazem parte de um amplo programa de modernização das duas linhas.
A conclusão da entrega representa uma etapa importante na estratégia de Singapura para preservar a confiabilidade de uma rede metroviária utilizada diariamente por milhões de passageiros.
Uma renovação planejada para substituir trens de décadas de operação
O programa de renovação começou antes da chegada dos primeiros novos trens aos passageiros.
A Land Transport Authority (LTA) de Singapura concedeu à Alstom, em 2018, o contrato inicial para 66 trens. Em 2019, foi realizada uma encomenda adicional de 40 unidades, totalizando os 106 trens agora entregues.
Os veículos pertencem à plataforma Movia, da Alstom, e foram fabricados pela Changchun Alstom Railway Vehicles, na China. O programa envolveu equipes da empresa em Singapura, China, Alemanha e Suécia, em conjunto com a LTA e a operadora SMRT Trains.
O primeiro R151 entrou em serviço comercial em junho de 2023. A substituição gradual permitiu retirar progressivamente os trens das primeiras gerações do MRT, muitos dos quais acumulavam cerca de 30 anos de serviço.
O processo demonstra uma característica importante da gestão ferroviária de Singapura: a renovação do material rodante é tratada como parte de um programa de gestão do ciclo de vida dos ativos, e não simplesmente como a compra de novos veículos quando os antigos já estão no limite de sua utilização.
636 carros para duas linhas de alta demanda
Cada composição possui seis carros e 220 assentos, podendo atingir velocidade máxima de 90 km/h. Os trens foram projetados para operações urbanas de alta capacidade, com características destinadas a facilitar o fluxo de passageiros dentro das composições.
Uma dessas características é a disposição longitudinal dos bancos, que deixa áreas mais abertas e facilita a circulação entre as portas.
Os veículos também contam com embarque sem degraus e espaços flexíveis destinados a passageiros com diferentes necessidades, incluindo áreas que podem acomodar cadeiras de rodas e carrinhos.
Em uma rede extremamente movimentada, esses detalhes possuem impacto direto na operação. Quanto mais rápido os passageiros conseguem embarcar, desembarcar e se distribuir pelos carros, menor tende a ser o tempo necessário para as paradas nas estações.
Tecnologia também está voltada para a manutenção da via
Um dos elementos mais interessantes dos novos trens não está diretamente relacionado ao conforto dos passageiros.
As composições possuem câmeras de inspeção automática da via, capazes de coletar informações sobre as condições da infraestrutura durante a própria operação comercial.
Isso significa que o trem pode atuar também como uma espécie de plataforma móvel de monitoramento.
Os dados coletados podem auxiliar as equipes responsáveis pela infraestrutura a identificar alterações nas condições da via e planejar intervenções de manutenção com maior antecedência.
A solução está alinhada com uma tendência cada vez mais importante no setor ferroviário: utilizar os próprios veículos em circulação para coletar dados sobre a infraestrutura, reduzindo a necessidade de inspeções exclusivamente manuais ou de interrupções específicas para determinadas atividades de monitoramento.
Na prática, material rodante e infraestrutura passam a fazer parte de um mesmo sistema de aquisição de dados.
Eficiência energética e frenagem regenerativa
Os novos trens também incorporam tecnologias voltadas à eficiência operacional.
Entre os equipamentos estão os bogies Flexx Urban, sistemas de tração Mitrac e frenagem regenerativa.
A frenagem regenerativa permite recuperar parte da energia produzida durante a desaceleração do trem, devolvendo-a ao sistema elétrico em vez de dissipá-la integralmente na forma de calor.
Em um sistema metroviário com elevada frequência de circulação, a sucessão de acelerações e frenagens torna esse tipo de tecnologia particularmente relevante.
A modernização, portanto, não se limita a colocar novos veículos em circulação. Ela procura também reduzir o consumo energético e melhorar o desempenho dos trens durante seu ciclo operacional.
Quase toda a frota pode ser reciclada
A preocupação ambiental também foi incorporada ao projeto.
Segundo a Alstom, aproximadamente 95% dos materiais empregados nos trens são recicláveis, enquanto mais de 96% podem ser recuperados ao final da vida útil dos veículos. O projeto também utiliza princípios de design for disassembly, que facilitam a desmontagem e separação dos componentes quando o trem chega ao fim de sua operação.
A diferença entre reciclagem e recuperação é relevante nesse contexto.
A possibilidade de desmontar o trem de maneira mais eficiente facilita a separação de materiais e componentes que poderão retornar a cadeias produtivas, reduzindo a quantidade de resíduos encaminhados para descarte.
É uma abordagem que acompanha o avanço do conceito de economia circular no setor ferroviário, no qual o ciclo de vida do veículo passa a ser considerado desde sua fase de projeto.
As linhas mais antigas do MRT
As linhas North-South e East-West ocupam posição histórica na rede de transporte de Singapura.
Elas fazem parte da estrutura original do sistema MRT e estão entre as linhas mais utilizadas do país. Por isso, sua modernização envolve muito mais do que a substituição dos trens.
A renovação do material rodante integra um processo mais amplo de atualização dos sistemas ferroviários, incluindo infraestrutura, sinalização, energia, manutenção e outros componentes necessários para preservar a confiabilidade da operação.
A própria SMRT destaca que as duas linhas estão entre os sistemas ferroviários mais antigos, longos e movimentados de Singapura.
O objetivo é garantir que uma infraestrutura originalmente concebida há várias décadas continue atendendo às necessidades de uma cidade que se transformou profundamente desde a inauguração do MRT.
Alstom amplia presença na rede ferroviária de Singapura
A conclusão do programa também reforça a presença da Alstom no sistema ferroviário do país.
Segundo a própria empresa, suas tecnologias estão atualmente presentes em sete das oito linhas MRT de Singapura, além da linha de LRT de Bukit Panjang. A companhia atua no país há mais de duas décadas em áreas que incluem material rodante, sinalização e serviços de longo prazo.
A relação entre fabricante, autoridade de transportes e operadora é especialmente importante em projetos de longa duração.
No caso dos 106 novos trens, a primeira contratação ocorreu em 2018 e a entrega foi concluída apenas em 2026. O processo atravessou diferentes etapas de fabricação, testes, homologação e entrada progressiva em serviço.
Isso evidencia que a renovação de uma grande frota metroviária é um projeto de longo prazo, que precisa ser coordenado com a operação cotidiana da rede.
Renovar antes de chegar ao limite
O caso de Singapura também oferece uma importante lição sobre gestão ferroviária.
Em vez de esperar que uma frota antiga apresente deterioração generalizada para então iniciar sua substituição, o operador pode estabelecer programas de renovação antecipada, distribuindo investimentos ao longo de vários anos.
Os novos trens R151 entram justamente nesse modelo de planejamento.
Ao substituir gradualmente as gerações anteriores, a rede consegue manter uma frota relativamente homogênea, incorporar tecnologias mais recentes e preparar a retirada dos veículos antigos sem necessidade de uma mudança abrupta.
Para passageiros, o resultado aparece principalmente na forma de viagens mais confortáveis e acessíveis. Para os operadores, porém, os benefícios também estão relacionados à confiabilidade, manutenção, eficiência energética e disponibilidade da frota.
Um novo ciclo para o MRT de Singapura
Com a entrega do 106º trem, Singapura encerra uma etapa importante de seu programa de renovação das linhas North-South e East-West.
São 636 novos carros, distribuídos em 106 composições de seis carros, que passam a substituir progressivamente uma frota de gerações anteriores. Os veículos combinam maior acessibilidade, eficiência energética, frenagem regenerativa e sistemas capazes de auxiliar na inspeção da própria infraestrutura ferroviária.
Mais do que uma simples aquisição de trens, o programa mostra como uma rede metroviária madura pode ser modernizada enquanto continua funcionando diariamente.
A estratégia combina renovação de material rodante, manutenção baseada em dados, eficiência energética, acessibilidade e planejamento de ciclo de vida — elementos cada vez mais importantes para sistemas ferroviários urbanos de alta capacidade.
Para Singapura, começa agora uma nova fase de operação das duas linhas históricas do MRT, com uma frota projetada para sustentar o crescimento e as exigências de uma das redes metroviárias mais utilizadas da Ásia.
Fonte: Alstom, 30 de setembro de 2026.





